Como endorfina faz bem pro corpo, faz bem pro ego e principalmente faz bem pra alma.
Novembro 12, 2009
Novembro 11, 2009
Sou eu, sou você.
Eu venho do Vale das Sombras e habito as mentes insanas. Compartilho do pacto macabro aos olhos de alguns e da tênue virtude dos bons homens aos olhos de outros. Eu venho do Vale dos Seres Pensantes, sou aquele que causa as dúvidas, cutuca ferimentos e depois assopra com o vento da paixão. Eu sou aquele que vive durante as madrugadas e as tardes e hiberna pelas manhãs a fora. Sou os pesadelos e os sonhos. Sou o fantástico, o surreal e a mais sórdida realidade. Sou a mão de Deus na Terra, sou o que bate e que afaga. Sou o que julga aos outros partindo de si mesmo. Sou trevas e manhãs de sol refrescante. Sou uma onda gigante, sou um barco que abriga os sofredores. Sou tudo e sou nada. Sou a excrescência pontiaguda que fere sua alma. Embora sendo eu o lugar onde você habita, eu sou você, e você pisa em cima. Me destrói.
Vidas secretas
O que há de tão misterioso dentro de nossa essência? O que é puramente desconhecido? Quanto de secreto carregamos e quantas armaduras criamos para mostrarmos aos outros? Você é sincero? Eu duvido que seja sincero, não há sinceridade nesta vida. Não há uma honesta sinceridade. Quando não escondemos dos outros, escondemos de nós mesmos. Às vezes até boicotamos nossos próprios sentimentos apenas para aparentar algo que realmente não somos. Mesmo que eu acredite, que exista esperança para um mínimo de pessoas, das quais não sei se faço parte, ou melhor gostaria de fazer, embora tudo leve acreditar que não. Nos mostramos de tão diferentes formas, nos intrometemos em coisas que não são dignas de nossa competência. Sorrimos para pessoas pela frente e seguramos um punhal pelas costas. Nossas vidas são guiadas por valores tão pequenos e efêmeros, nada disso vai ser levado. Então por que percorremos um caminho desconhecido em busca de elementos materiais que unicamente servirão para a degradação da nossa moralidade? Acredito, ainda que não seja puramente material esse tipo de obsessão, inúmeros sentimentos, quais alimentamos diariamente também não são dignos de habitar um coração que deveria ser puro e mais humano. Estamos à mercê de muitos erros, e não existe problema em errar para aprender. No entanto, eu ainda me pergunto: Por que é que continuo cometendo os mesmos erros? Da minha vida expulsei demônios, exorcizei pessoas e a mim mesma. Ainda assim me pergunto, será que hoje estou curada de uma doença horrenda cujo nome não pode ser citado? Todos os dias devo olhar para as marcas e me lembrar que fui eu mesma que as plantei lá. Gostaria de não cometer os mesmos erros. Nem todas as horas, nem todos os dias, nem mesmo uma segunda vez. Mas a vida que ao mesmo tempo se descomplica se complica em questão de segundos. Prometeria à mim que não faria novamente, só que falta-me forças para parar de errar. Não são as pessoas culpadas pelo meu sofrimento, sou apenas eu. O tempo vai passando bruscamente e ininterruptamente deixando rugas para serem contadas. 30 anos se passaram e o que eu aprendi? Daqui alguns anos serão 40, 50, 60 e eu não sei realmente o que eu levarei comigo. Por que esse excesso de sentimentos me domina, esta sensibilidade me sufoca e eu mato à todas as pessoas que encontro? Minha vida é baseada em mentiras, mentiras que eu ouço, que eu conto, que eu descubro, todos os e todos os dias. São minhas dúvidas as suas. E finalmente, o que é mesmo essencial à vida? "Só serei feliz quando amar à todos de uma forma absurda".
Novembro 10, 2009
As fábulas e as lendas
Por que nós inventamos histórias para florear nossas vidas? Será a vida tão cruel para os nossos corações? Ou seremos nós os vilões que inventam histórias para enganar a si mesmos? Eu era uma princesa quando pequena, vivia em um mundo encantado até ser descoberta por mãos horrendas de um velho e gordo bruxo. Mesmo assim ainda havia encanto no sorriso e eu continuava a sonhar. Depois da morte de minha mãe os dias ficaram mais cinzas e as noites mais longas. Fui criada com severidade e de um lugar encantado e amaldiçoada fui abduzida para o mundo paralelo que alguns homens chamam de realidade. Mais uma vez aqui. Então deixamos de viver fábulas e passamos a conviver com as lendas. As histórias de crianças são feitas para que os adultos possam ler e ver que o tempo deles é outro. Uma grande ironia. Hoje, vivendo, como se fosse a minha última chance, eu concluo que odeio todas as fábulas do mundo, odeio as que me contaram, as que continuam inventar e as que eu mesmo inventei. As fábulas se transformaram em lendas e eu preciso me lembrar todos os dias disso. Apenas todos os dias. Não durma, porque você pode sonhar.
Fraquezas
Das minhas fraquezas sei eu. Dos dias em que choro ao acordar, dos dias que choro ao dormir. Dos meus risos e das minhas gargalhadas, sei eu. Do peso das palavras omissas e das palavras ditas sei eu. Só eu sei o monstro que carrego dentro da barriga que em alguns dias me escapa pela garganta. Da minha solidão e das minhas poucas amizades sei apenas eu. De apenas saber o que eu sei, ainda há tudo o que eu imagino saber. Não deixa de doer, e não deixo de sorrir. Lentamente os movimentos vão parando, meu corpo se cristaliza e minha respiração cessa. Sinto uma cólica horrível, minhas mão suam e tremem, minha palidez aumenta e eu fico muda. Não é a coragem que move as pessoas e sim o medo de perder tudo pra sempre. Às vezes eu rezo pra ser alguém melhor. Rezar um dia funciona. Mas não há perdão para pessoas fracas.
Novembro 02, 2009
Noites eternas
Já reparou como o dia é curto e a noite longa? Acho que sinto algo ruim durante a noite.
Outubro 27, 2009
Contratempo
Nos intervalos da minha trilha vou contando o tempo. Tenho duas, três ou mais faces. Depende do momento. Meu novo Eu repete de três por cinco, três acertos para cada cinco erros, mas acaba sendo uma média boa. Então há em cada palavra uma sílaba que me faz ao invés de gritar ficar muda. De tempos em tempos isso acontece, pode parecer estupidez mas nem eu mesma sei explicar. E também pouco me importa agora. O que é melhor ser? Tudo ou nada? Porque não existe meio termo no meu dicionário.
Outubro 24, 2009
Outubro 20, 2009
Nada em minhas mãos
Há tempos venho escrevendo sem algum propósito, venho vivendo apenas para agradar pessoas. Não sei de nada nesta vida, aliás como já disse sei do que eu não gosto, mas para ser bem franca, somente um tolo pensa que sabe algo verdadeiramente. Há tempos, como eu ia dizendo, não escrevo nada, se é que algum dia escrevi, algo para ser lido, algo que desse orgulho, algo com conteúdo, que fosse banal, mas algo menos repetitivo. Há viver em círculos estou, há tempos. Então como não tenho nada de novo, apenas repito aquilo que já foi dito. Hoje acordei de um sonho estranho, durante umas quatro vezes, e percebi que isso acontece quando eu durmo demais. Já aconteceu com você? Então eu percebi que tenho dormido demais há tempos. Então antes que meu tempo se torne escasso vou apostar minha negligência em coisas produtivas que não se resumam em uma fatura mensal. Não sei se há algo para ser lido, mas eu sou feliz lendo livros, sou feliz indo ao cinema sozinha, sou feliz escrevendo, pintando, ouvindo e dançando música sozinha, sou feliz compondo músicas de 4 acordes, sou feliz me vestindo da forma que me visto, com meu cabelo sem escova progressiva, sem ser escrava de um salão de beleza, sou feliz cozinhando, sou feliz arrumando minha casinha, feliz ajudando velhinhos, feliz brincando com crianças, sou feliz conversando com gente. Há tempos eu tenho deixado de fazer isso. Há tempos eu tenho me sufocado pensando apenas nos outros. A minha intenção não é magoar ninguém, nem com o que eu escrevo, nem com nada. Eu tenho muitas coisas que me deixam feliz para fazer, e se isso é para ser feito sozinha, infelizmente eu sou feliz. Beijos me liga!
Outubro 16, 2009
O dia mais feliz do mundo
Houve um dia, o mais feliz de todos, de todos os lugares que poderiam existir no mundo. Neste dia, ela acordou cedo, por volta da uma hora da manhã, após vinte horas de sonos serrados. Ela havia acordado feliz, sem motivos aparentes. Havia sim, ouvido promessas, ofertas diversas, levado alguns tapas, mas nada de que outro ser não pudesse ter passado antes na vida. Então, após quatro horas ela voltou a dormir. Dormiu por mais algumas horas, quando despertou novamente, sem razões para se levantar voltou a dormir quando seu relógio finalmente anunciou: "levante-se, há um dia aqui dentro para ser vivido". Ela se levantou, colocou suas pantufas, comeu dois danoninhos, ou haviam sido comidos na noite anterior?, e foi lavar o banheiro. O telefone toca, "mas que surpresa", ela pensa, um convite para almoçar. Foram almoçar, após uma caminhada sem fim. Embora irritada estava feliz. Sua felicidade foi aumentando, aumentando, aumentando... até que resolveu dormir novamente. Ao fim do dia ela recebeu um elogio, e por isso pôde dormir feliz.
Passagem cega
Para Mariana
Não leve a vida tão a sério, nem mesmo a morte Mariana.
Não temo a morte, temo a vida. Nunca me deparei com a morte, a não ser pelo acidente de carro, traumatismo craniano e amnésia temporária. Mas com a vida eu me deparo todos os dias. Não temo a morte não só pelo fato de não ter medo de morrer, mas por crer que a morte é apenas uma passagem, que seja ilusória, para outras vidas. Temo a vida por não saber viver, tenho tanto medo do futuro incerto, que não a morte, que não me arrisco a planejar coisas que não sejam aquelas que não possam sair da minha imaginação. Não temo a morte por querer morrer de desespero pela vida que levo. Porque eu não tenho vida. Um dia, quando sai de casa pela primeira vez me deparei com a vida, entrei correndo novamente, me escondi na cama e fiquei em coma por 24 anos. Isso é tudo o que acredito? Acredito que terei outras chances, por isso se eu morrer talvez possa nascer diferente, ao ponto de ser amplamente destemida.
Não leve a vida tão a sério, nem mesmo a morte Mariana.
Outubro 15, 2009
Um novo dia
Dormi por horas sem sentir coisa alguma,mas pensar é inevitável. Agora parece tão diferente. Tão mais bonito e colorido. Recobrar a consciência após um pesadelo é algo maravilhoso. Todos os dias lutamos a favor de nossas ambições. E, por mais que pareça tudo tão difícil nada deve nos impedir de continuar. Um ano atrás eu estaria voltando do meu trabalho, sentada em uma lanhouse escrevendo textos,ou comprando um suco de gengibre, laranja, salsão e cenoura vendo a bahia, a ponte, a ópera house do outro lado da cidade. Mas agora estou aqui e tenho muitas coisas pra fazer, e são poucas coisas para terminar alguma coisa que comecei. Portanto, força, fé e esperança. Eu vou conseguir. Nós iremos.
Outubro 13, 2009
Inicio de semana
Como é início de semana, vou elevar meus pensamentos, fixar em coisas boas e assim ter dias lindos, maravilhosos e produtivos. Afinal, sou uma pessoa de sorte, abençoada por Deus. Amém. E uma linda semana para todos! Não liguem para as asneiras que eu escrevo por aqui. Tudo deve ser filtrado. Tudo.
"Você é muito linda, vai fazer muito sucesso ainda, pode apostar!"
"Você é muito linda, vai fazer muito sucesso ainda, pode apostar!" o que será que ela quis dizer com isso, que ela irá fazer muito sucesso com os homens? Que degenerada. O que mais me enoja é o fato de ser tão medíocre. Se mete a enfiar debaixo das saias do padre e fica indo atrás de homem casado, sendo ela uma mulher casada e com filhos. Mas anyway, cada um no seu quadrado. Nestas horas eu digo, se controla menina! Se controla!
depois do sol
Ele era rude em alguns aspectos, não era experiente, muito menos carinhoso, mas seus toques eram marcantes como suas palavras, profundos; sua pele era lisa e quente e faziam o corpo dela estremecer; seus olhos opacos e seu sorriso manco eram tudo o que ela buscava. Ele foi a única pessoa que ela achava que a entendia, talvez fosse pura fantasia. Eles trocaram muitos e muitos segredos, tiveram uma vida paralela, e as escondidas. Para ele não havia muito segredo em profanar seu corpo desajeitado, e ela sentia até vontade de chorar quando o sentia por cima dela. Imagino que foi poesia. Em demasia. Ele vivia só, em um quarto escuro, com borboletas batendo na janela, recebia visita de outras três diferentes pessoas. E ela, nunca se importou, o fato de fazer como fazia era suficiente porque não gostava de acrobacias. Ele a aceitava como ela era. Mas ela resolveu partir, cansou-se da vida noturna.
Já não mais...
Cedo ou tarde este dia chegaria. O dia em ele diria a ela que não era mais tempo dos dois, que tudo com um começo tem um fim, que o amor dele por ela havia se esgotado. A história dos dois foi uma história em que os dois se encontraram um dia e depois passaram o resto dos dias juntos a se distrair. 1642 dias de distração alguém me contou. Faziam coisas engraçadas, riam um do outro, riam dos outros, depois choraram porque o riso simplesmente se foi. É tão chato quando o riso vai embora e ele sempre parte pra algum outro lugar. Acho que é quando você encontra o seu limite na outra pessoa. Acontece, ela dizia. Mas ficou desesperada, infelizmente não havia nada mais para se fazer. Não há como resgatar um riso.
Pente vermelho
O pente vermelho foi recentemente trocado, era julho de 2006. Ele já estava com uns 17 anos de idade quando foi simplesmente descartado, trocado por outro na cor cinza, modelo mais arrojado, não mais caro, nem mais barato, foi presente. O que poucos sabem é a história que o pente vermelho trazia consigo. Quantas cabeças ele havia penteado e como ele havia viajado tanto e chego até aqui. Voltando uns 15 anos no tempo o Vermelhinho tinha como dono Moacir, ele havia comprado no supermercado por ser o modelo disponível na época. Era incrível a obsessão que Moacir tinha pelo pente. Todos os dias pela manhã ele acordava, tomava banho, passava gel em seu cabelo e utilizava o pente que lhe conferia o penteado ideal. A casa de Moacir era habitada por três anões extremamente sapecas e por sua esposa Joana e às vezes o pente sumia o que irritava muito Moacir e deixava todos com muito medo. Por isso, antes mesmo de Moacir acordar Joana se levantava para fazer o chá matinal com torradas para seu marido e conferir se o pente se encontrava no pote que ficava no beiral da janela. Quando o pente desaparecia, afinal era um objeto pequeno, pessoas utilizavam ele e nem sempre o colocavam no lugar, Joana ficava desesperada e acordava os anões um a um para procurar pelo pente. Os anões ficavam tontos de tanto terror, embranquecidos saiam saltitantes na ponta dos pés, com meias extremamente fofas para não fazer barulho em busca do vermelho objeto de dentes. Quando Moacir acordava, tentavam o distrair, um se trancava no banheiro, outro tentava puxar assunto para que Joana tentasse localizar o objeto. Foram diversas tentativas de substituí-lo por outro qualquer, até de mesmo formato, mas nada que agradasse Moacir. Foi decidido então pelos membros da casa que se deveria substituir Moacir. O pente veio comigo e ficou vivendo aqui por alguns anos até então ser dado cabo de sua vida.
A incrível libertação
Eu choro todos os dias, porque sou sensível, ou porque sou idiota. Para alguns apenas a palavra idiota basta. De repente deixei de ser alguém que sorri para ser uma pessoa irritante. Isso é realmente frustrante. Não são em trinta dias que se conhece alguém. Não sei bem ao certo em quanto tempo se conhece alguém, às vezes nem mesmo em cinco anos se conhece. Só sei que ao invés de ir dormir sem algumas, eu permaneci acordada e poderia ter ido muito mais longe, ainda bem que pude sair. Mas o fato de que ao mesmo tempo de não saber dizer "não"; que não é verdade, eu sei dizer não e sou bem pau no cu, quando eu quero ou quando não me importo; é que eu realmente me importava, então preferi omitir alguns detalhes. Relacionamentos acabam e começam o tempo todo, tudo se renova o tempo todo. No entanto meu corpo não é e nem vai ser moeda de troca para nada, muito menos para toda essa efemeridade contemporânea. Eu acredito mesmo que as nossas boas ações para com os outros são em busca do sentimento do bem-estar, uma massagem ao ego. Mesmo em termos de evolução espiritual, tudo de bom que se pratica é em busca de uma evolução. Eu digo que cansei de chorar, cansei de ser boa, cansei de ser ruim, cansei de existir, cansei de permitir, cansei da tolerância em vão, da passividade, de pintar, de escrever, de estudar, de ler, de cozinhar, tomar banho, pentear o cabelo, de acordar, trabalhar, dormir, pagar contas, preocupações. Sou um objeto que compra objetos através de dinheiro virtual, sustentada pelos pais, que mora em um apartamento fantasia, com mobílias de mentira e que segue um propósito que nem causa própria tem. Eu não decidi ainda o que quero ser quando crescer, e você?
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